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Explorando a Magia da Mata Atlântica através das Imagens: A Boa-Vontade dos Habitantes Arborícolas: As Preguiças

Se existe um local que parece ter saído diretamente das páginas de um conto de fadas, esse espaço é a Mata Atlântica. Esta mata, localizada ao longo da costa do continente sul americano, encontra-se altamente ameaçada pela ocupação humana. Ao longo dos anos a expansão urbana tem vindo a ocupar espaços outrora verdes. No início do ano de 2023, tive o privilégio de mergulhar neste ecossistema exuberante e capturar a beleza inigualável da vida selvagem através da minha câmara. Desde então que ficou muito por contar, mas com os trabalhos acabei por vir adiando e por isso, quero iniciar este ano a partilhar convosco esta incrível jornada visual.



O Som Verdejante da Floresta: Os primeiros passos

O primeiro impacto foi avassalador! Nada me fazia preparar para o que iria sentir, um misto de adrenalina e medo. Medo por estar a entrar em territórios desconhecidos, por me cruzar com espécies das quais sei muito pouco e algumas delas podendo ser mortais. Adrenalina porque era algo que há muito ansiava fazer e finalmente estava a concretizar este sonho. Só conseguia ver verde à minha volta. Quis o destino que chegasse de noite, onde a vista não ia além dos 2 metros que a iluminação da casa permitia. Mas os sons naquela primeira noite foram incríveis, foi das noites que mais me custou a adormecer. Tal era a vontade de explorar aquele mundo! Ainda não eram 7 da manhã em Portugal, 3 da manhã no Brasil, e já eu andava a espreitar pelas janelas à espera que o sol fizesse o seu trabalho. E revela-se o que eu ainda não tinha visto. Estava tudo preparado para explorar. Nos primeiros dias encontrei os saguins, uma família muito simpática que nos vinha visitar todos os dias. E que eu aproveitava para fotografar o mais possível, e tentar documentar quem era quem. Tinham dois pequeninos com eles, que adoravelmente não se aproximavam de mim e preferiam roubar os pedaços de bananas aos progenitores. Os momentos de interação com eles eram fugazes mas muito gratificantes.



A água paira no ar, o mistério das chuvas malditas

A Mata Atlântica é testemunha do fenômeno intrigante das "chuvas malditas". A água paira no ar, suspensa nas folhas, criando um microclima que sustenta a exuberância da flora e deixando tudo verde. Sob a luz filtrada pelas copas das árvores, procurei capturar a magia efémera dessas gotas flutuantes. A humidade nesta floresta é extremamente elevada. Se à primeira ia mentalizado para isso, no terreno, a logística era diferente. Com o intuito de fotografar todos os animais que ia encontrando, e claro de pisar o solo sempre húmido da mata, inicialmente comecei por utilizar as minhas botas de caminhada, mas rapidamente alterei o plano e passei a andar sempre de galochas, podia caminhar dentro de água e sentia-me mais seguro em relação às formigas e outros animais desconhecidos. O que num ambiente tão húmido como este pode ser um desafio. E por cima, sempre calças. As calças permitem-me não stressar tanto com os mosquitos, mas também com as folhas que nalguns momentos tocavam ao de leve na perna, semelhante a bichos potencialmente perigosos. Por cima, t-shirt de mangas compridas. A ideia era poder fotografar em segurança, na mochila levava sempre um casaco impermeável. Pois, a chuva teimava em aparecer nas piores alturas. A chuva era um sinal que a noite ia ser boa, pois um dos grupos que gosta de sair com chuva são os anfíbios. E encontrei imensos, embora alguns dos sons tenham ficado por identificar. Não por falta de tentativa, mas se entrar na mata durante o dia era perigoso. De noite, o caso era ainda mais sério.



As primeiras impressões no interior do verde

Ao entrar pela densa e verdejante Mata Atlântica, um universo de sons despertou diante de mim. O chilrear das aves entrelaçava-se com o sussurro das folhas ao vento, formando uma sinfonia única. Cada passo tornava-se uma dança silenciosa com a natureza, e a câmara pronta para capturar os primeiros vislumbres deste espetáculo verdejante. Por entre ramos, um animal silencioso percorria a floresta. Como um fantasma na noite, passava despercebido aos olhares menos atentos. Alimentando-se de folhas e procurando repouso nas bifurcações dos ramos. Encontrar tal animal revelou-se um desafio, e a cada passo o desafio ficava maior. Era o meu maior objetivo. Aquele que iria demorar semanas a realizar. Encontrar uma preguiça neste espaço enorme e densamente povoado por verde. Mas o desafio que era suposto ser grande, foi alcançado ao segundo dia. Numa das caminhadas que realizei para explorar este espaço magnifico, ao parar para explorar uma zona mais aberta. Lá estava ela, no topo de uma árvore, do outro lado do vale, a alimentar-se tranquilamente. Permaneci ali a vislumbrar tal animal pelos binóculos, até que ela lentamente desceu pelos ramos da árvore e infiltrou-se pela floresta, desaparecendo como um fantasma que nunca ali esteve. Aqueles trinta minutos foram o suficiente para me encher o coração. Podia ter encontrado a minha primeira preguiça, mas se me tornar preguiçoso não irei conseguir obter as fotografias que desejo. Ao chegar a casa apressei-me a ver as fotografias, que tiradas de longe revelaram um segredo ainda maior, era uma fêmea com uma cria. As aves foram um dos pontos altos dos primeiros dias, embora sempre longe da objetiva, mais longe do que eu pretendia. Mas inicialmente é também necessário aprender mais sobre os seus hábitos, a sua dieta, e as espécies que poderia fotografar.



A Boa-Vontade dos Habitantes Arborícolas: As Preguiças

O nascer do dia era um despertar para mim e para os animais que ali viviam. O equipamento pré-preparado e equipado a rigor, saia à procura de animais. Na sua maioria novos para mim. Ao entrar na Mata Atlântica, fui saudado pelos moradores preguiçosos que habitam a copa das árvores. As preguiças, verdadeiras acrobatas do circo, penduravam-se tranquilamente nos galhos, parecendo pouco afetadas pela minha presença. Cada clique da câmara capturava a sua graça tranquila e a inegável ligação que elas têm com esta floresta mágica. Entre as folhas e galhos, as preguiças revelavam-se como mestres da contemplação. A sua lentidão contrastava com a efervescência da floresta, e seus olhares curiosos eram convites à introspeção. Desafiando a pressa do mundo, procurei encapsular a tranquilidade destes seres que, pendurados nas árvores, personificam a calma e a harmonia que encontrei na Mata Atlântica.



Ao final da jornada fotográfica, a Mata Atlântica revelou-se não apenas como um local de beleza deslumbrante, mas como um tesouro de histórias e ecossistemas intricados. Cada capítulo desta exploração fotográfica foi um convite a mergulhar nas complexidades e maravilhas dessa floresta, capturando momentos efémeros que ecoarão na eternidade visual. Que essas imagens inspirem a preservação desta joia natural e incentivem outros a explorar e proteger a diversidade única da Mata Atlântica.



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