Uma expedição científica com um cheirinho de férias: Um dia completo na floresta e a primeira noite de descanso – 7 de agosto
- Diogo Oliveira

- 29 de mar.
- 4 min de leitura
Depois da intensidade dos primeiros dias, este momento da expedição trouxe uma pausa inesperada. Sem pressas, sem longas caminhadas logo pela manhã, foi uma oportunidade para observar, explorar e simplesmente estar presente na floresta.
Entre pequenos encontros com a fauna à volta do acampamento, momentos de exploração mais solitária e a preparação para mais uma noite de trabalho, este dia acabou por revelar algo essencial: nem sempre é na ação constante que surgem os melhores momentos, mas sim na capacidade de parar, observar e estar atento ao que acontece à nossa volta.
Num ambiente onde tudo pode acontecer a qualquer instante, até um simples pequeno-almoço pode transformar-se numa oportunidade única.

O pequeno-almoço abençoado
Neste segundo dia tudo começou mais calmo. Não era necessário arrumar o acampamento à pressa, não era preciso ir colocar audiomoths. Podíamos descansar. Aproveitar o tempo na floresta. E o primeiro passo era ganhar forças, ou seja, ir tomar o pequeno-almoço. Como as nossas tendas estavam no topo da colina, tínhamos de descer e atravessar o acampamento. Ora se não me conhecem, não sabem o quanto eu gosto de fotografar animais e observar animais. E usualmente, junto aos acampamentos aparecem sempre imensos. A primeira coisa que me lembrei foi, se aparecer algum animal interessante. Vou mesmo querer ir a correr colina acima para ir buscar a câmara? Voltar a descer a correr, e provavelmente não conseguir fotografar o animal e ficar super cansado. Visto ainda serem uns bons 20 minutos a andar, ou seja, 10 minutos a correr. Queria mesmo passar por isso? Não! Um redondo, não! E por isso, como qualquer pessoa maluca faria, levei a câmara comigo quando fomos tomar o pequeno-almoço. E ainda bem. Porque as fotografias seguintes são prova disso.
Chegámos à mesa de pequeno-almoço e o nosso cozinheiro prontamente colocou tudo na mesa para nós irmos comendo. Confesso que nem sempre me recordo das nossas refeições, só me recordo da água de queima do arroz que detestava. Se calhar por passar metade do tempo a olhar lá para fora, à procura de animais, a conversar, a partilhar histórias. Mas acima de tudo, de olhar lá para fora. E foi precisamente por esse motivo que encontrei o primeiro roedor, à procura de restos de comida. Ou melhor, a alimentar-se de restos de comida. Ali não havia lixo, a comida que sobrava acabava no fim da ravina mesmo ao lado dos bancos.
Fui comendo e fotografando o rato, quando ele aparecia conseguia umas fotografias, depois voltava a refugiar-se nos arbustos e eu voltava para comer. Finalizado o pequeno-almoço ficávamos quase sempre sentados nos bancos a conversar e a olhar para a floresta à nossa frente. E de repente, ali estava ele. A ave mais bonita que vimos nesta expedição. Os azuis eram inacreditáveis. O “Madagascar Blue Vanga” é uma espécie quase ameaçada, claro que na altura nem pensei nisso. Só queria conseguir uma fotografia que permitisse mostrar a sua beleza.
O acampamento
Regressámos ao nosso mini acampamento no topo da colina. Onde os sons do acampamento principal não chegavam, onde os sons da natureza eram os dominantes. A nossa tenda ficava perto de um caminho que descia pela floresta. Não sabia bem onde ia dar, nem o quão inclinado era. Mas estava mortinho por explorar. Claro que também não queria cansar-me. Porque sabia que no dia seguinte teríamos de regressar ao ponto de partida. Mas de repente ouvimos lémures relativamente perto da nossa tenda, e estavam precisamente na direção desse caminho. Peguei na câmara e no tripé e comecei a tentar filmá-los. Sabia que não ia ser fácil. Mas tínhamos a tarde livre, e por isso, tinha de aproveitar. Comecei a segui-los à procura de um bom ângulo para os filmar. Mas uma coisa que notei, é que quanto mais eu descia, mas difícil se tornava conseguir filmá-los. A floresta ficava mais densa, e eu acabava por ficar mesmo por baixo deles. Voltei a subir pelo caminho, procurando abertas nas copas por onde eu conseguisse filmá-los. Eles continuavam em andamento, embora alguns indivíduos fossem ficando para trás. Ainda consegui algumas fotografias até que desapareceram na copa da floresta. E eu regressei ao acampamento para descansar mais um bocado.
Preparar a noite de capturas
O final da tarde foi a preparar o material para a sessão noturna. Que nesta noite eu e a Vanessa não iriamos participar. A Vanessa pela dificuldade em chegar ao local, o meu caso foi pela decisão da equipa de forma a conseguir capturar o maior número de morcegos. Ou seja, iriam montar as redes mesmo à saída da gruta. Num espaço pequeno, numa espécie de vala, porque a água que com o tempo foi saindo da gruta acabou por escavar na terra. O processamento dos bichos seria ali também. A minha presença iria apenas atrapalhar. Na altura não tinha a vacina da raiva, e por isso, não estava autorizado a mexer nos morcegos. Levar o equipamento para fotografar também não daria. Não havia espaço para fotografar a equipa, e muito menos os morcegos. Estando os dois guias, mais o Ricardo e a Thalya. Seriam suficientes para conseguir um bom trabalho. E embora eu estivesse mortinho por ficar acordado a fotografar morcegos, a ajudar no que conseguia. Acabei por ficar a descansar na tenda. Fui para a cama mais cedo, e tentei recuperar energias. Começar a arrumar tudo. Isto porque no dia seguinte teríamos a caminhada de regresso ao Centro ValBio… ou seja, as duas caminhadas num único dia!




























































































Comentários