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Aprende sobre a regra fotográfica mais importante na composição de fotografias de vida selvagem

A Regra dos Terços

A regra dos terços é um dos princípios de composição mais conhecidos na fotografia, e é particularmente útil na fotografia de vida selvagem. A ideia é simples: imaginar que a imagem está dividida por duas linhas horizontais e duas linhas verticais, formando uma grelha de nove partes iguais. Isto permite colocar o nosso sujeito próximo de um dos pontos onde essas linhas se cruzam, e não mesmo no centro da fotografia. A realidade é que estes pontos são naturalmente mais atraentes para o olhar humano e criam uma imagem visualmente mais equilibrada e dinâmica. Podemos até equacionar se direita e esquerda tem impacto, porque em Portugal nós lemos da direita para a esquerda. E por isso, o nosso olhar está habituado a começar sempre à esquerda. Mas vamos a mais umas explicações.



Mas como podemos aplicar esta regra quandos os animais raramente estão parados ou perfeitamente posicionados? Muitas vezes os animais surgem de forma inesperada, em ambientes complexos, com vegetação, água ou outros elementos a competir pela atenção. Utilizar a regra dos terços ajuda o fotógrafo a organizar visualmente a cena e a separar o sujeito do restante ambiente. Em vez de uma imagem estática e centrada, obtém-se uma composição com mais movimento e com maior sensação de profundidade. Faz parte de uma das regras fotográficas, e talvez a mais utilizada pela maioria dos fotógrafos. Quer sejam fotografias de vida selvagem ou de outros temas. E por isso, é importante conhecer e saber aplicar esta regra.



Uma forma de olhar para esta regra dos terços é compreender a dinâmica do movimento ou olhar. E por isso, uma forma muito comum de utilizar a regra dos terços é deixar espaço na direção do olhar ou do movimento do animal. Por exemplo, se uma ave estiver a olhar para a direita, posicioná-la no terço esquerdo da fotografia cria um espaço vazio à frente do olhar. Esse espaço transmite a sensação de que o animal tem “para onde olhar” ou “para onde se mover”. Quando o sujeito é colocado no centro, essa sensação desaparece e a imagem tende a parecer mais rígida ou artificial. Eu prefiro compor ainda no terreno, ou seja, quando faço a focagem do animal já tenho o ponto de foco numa destas linhas, à esquerda ou à direita. Não gosto de deixar esta composição para casa, realizando crops, ou outras técnicas. Porque assim vou efetivamente perder espaço negativo à frente da ave, e nalguns casos pode ser difícil de cortar mantendo a regra. O que não gosto é de ter de mudar o ponto de foco entre esquerda e direita, gostava que existisse uma opção do ponto de foco só alterar entre esses quatro pontos de foco da regra dos terços.



Outro aspeto importante é a relação entre o animal e o habitat. Na fotografia de vida selvagem, o ambiente faz parte da história da imagem. Utilizando a regra dos terços, é possível equilibrar o sujeito com o cenário. Uma ave pode ser colocada no terço superior da imagem, deixando os restantes dois terços para mostrar o seu habitat, neste caso a areia da praia. Outros exemplos, podemos por exemplo fotografar uma ave pousada que acabe por ser posicionada num dos lados da fotografia para revelar o contexto natural à sua volta, como um lago, um campo aberto ou uma zona de vegetação. Existem imensas situações onde esta regra se aplica e nos vai ajudar a manter a fotografia equilibrada e dar o devido destaque ao animal que queremos mostrar.



A regra dos terços também ajuda a orientar o olhar do observador dentro da fotografia. Quando um sujeito é colocado num dos pontos fortes da composição, o olhar entra na imagem de forma mais natural e percorre os diferentes elementos de maneira equilibrada. Linhas naturais da paisagem, como ramos, margens de rios ou linhas do horizonte, podem reforçar essa composição e conduzir o olhar até ao animal. No caso do uso de reflexos, devemos tentar manter o animal ao longo de uma das linhas verticais, mantendo tanto o real como o reflexo ao longo da linha e tentando manter junto dos pontos de intersecção. O mesmo se aplica a flamingos, garças ou até répteis, quando o tamanho é grande, a ideia é colocar o animal ao longo das linhas.



No entanto, é importante compreender que a regra dos terços não deve ser encarada como uma regra rígida. Trata-se antes de um guia inicial que ajuda a melhorar a composição, sobretudo para quem está a começar. Em determinadas situações, colocar o animal no centro da imagem pode funcionar melhor, especialmente em retratos próximos, comportamentos simétricos ou imagens minimalistas. A experiência e a intenção artística do fotógrafo devem sempre prevalecer sobre qualquer regra. Como todas as regras, pode e deve ser quebrada. Mas quando sentimos dificuldades em criar composições apelativas, recorrer a esta regra pode acelerar o processo criativo e quebrar alguma barreira que tenhamos a fotografar.



Em fotografia de vida selvagem, a composição é frequentemente decidida em poucos segundos. Ter a regra dos terços presente na mente ajuda a reagir rapidamente e a criar imagens mais equilibradas mesmo em situações imprevisíveis. Com prática, esta regra deixa de ser algo que o fotógrafo pensa conscientemente e passa a fazer parte do seu olhar fotográfico. O resultado são imagens mais naturais, mais dinâmicas e visualmente mais envolventes. Espero que este post tenha ajudado. Se tiverem mais dúvidas deixem nos comentários. Deixo-vos com pequenas dicas e um exercício para praticarem, assim como mais algumas fotografias utilizando esta técnica de composição.



Aqui ficam mais alguns exemplos de fotografias tiradas com a regra dos terços em mente:



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