• Diogo Oliveira

Missão: Truques para Fotografar o Noitibó-de-nuca-vermelha, Aves de Portugal

Quem me conhece sabe que detesto perseguir espécies para a minha coleção de fotografias, há espécies que desejo fotografar simplesmente. Sejam elas bonitas, feias ou nojentas. O interesse é o mesmo, e existem sempre algumas ideias que tenho em mente quando finalmente consigo encontrar a dita espécie, quer seja por pura sorte, ou por me ter deslocado a um local onde poderia encontra-la. Gosto de combinar os estudos em biologia, variados artigos científicos e a experiência para determinar vários aspetos e preferências das espécies, de forma a facilitar o processo de a fotografar, manusear (por vezes, mas sabendo o que faço e sem incomodar muito os indivíduos) e eventualmente estudar determinados comportamentos que não veem descritos nos artigos científicos ou livros técnicos da especialidade.

No caso desta espécie, o noitibó-de-nuca-vermelha, Caprimulgus ruficollis, foi totalmente sorte. Já tinha estudado a espécie e sabia que eles gostam de zonas abertas de areia com algumas árvores ou arbustos onde podem capturar insetos em pleno voo, usando a sua grande boca. Já procuro há alguns anos, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar um. Um dia, quando a minha mãe chegou a casa disse ter visto uma ave grande e que apenas levantou voo quando o carro estava mesmo em cima dela. Fiquei espantado, os terrenos há volta possuem gado e não arvores e arbustos, pensei que fosse uma ave perdida. Noutro dia, a minha mãe voltou a deparar-se com esta ave e eu nunca tinha a sorte de a observar.

Num dia já de noite, quando estava a caminho de Lisboa lembrei-me de passar por pancas à procura de corujas-do-mato, sendo uma espécie que gostei de fotografar e gostaria de voltar a fotografar, no entanto, a única espécie que fotografei foi precisamente o noitibó-de-nuca-vermelha. Com um pouco de sorte à mistura, foi possível observar e fotografar três indivíduos diferentes. Todos eles permitiram-nos aproximar bastante antes de levantarem voo e voltarem a pousar um pouco mais à frente, e só depois de mais umas fotografias é que fugiram.

Quando finalmente tinha bastantes fotografias de noitibós-de-nuca-vermelha heis que me voltam a surpreender ao finalmente encontrar um individuo no caminho de terra batida de casa. Mais uma vez ele permitiu-me aproximar bastante e tirar imensas fotografias, no entanto, no dia seguinte já não andava por lá.