• Diogo Oliveira

Missão: Truques para fotografar Anfíbios na Fase Terrestre, Anfíbios de Portugal

Os anfíbios são um dos grupos de vertebrados mais temidos pela população em geral, quer pelo seu aspecto, quer devido a todos os mitos que se dizem acerca deles. No entanto, são um dos grupos mais importantes na conservação dos habitats. Os anfíbios podem ser utilizados como bioindicadores, em estudos de conservação é possível verificar a tendência das populações e a quantidade de indivíduos com infeções, as tendências decrescentes devem-se sobretudo à poluição ou à destruição dos seus habitats. E também são muito importantes no combate à maioria das pragas de insetos que provocam prejuízos na agricultura, nomeadamente lesmas, caracóis e escaravelhos. Ou seja, são amigos dos agricultores e das pequenas hortas.



No entanto, os mitos e lendas que os rodeiam conferem-lhes muito negativismo, originando mortes desnecessárias. A sua presença é muito vantajosa para o ser humano: os adultos alimentam-se de insetos terrestres e as larvas alimentam-se de larvas de insetos, como as larvas de mosquitos que mais tarde poderão ser vectores de muitas doenças prejudiciais para o ser humano.


A principal desvantagem é a falta de veneno. Embora o público em geral acredite que estes pequenos serem sejam venenosos, chegando a acreditar que alguns possuem a habilidade para esguichar veneno para os olhos. Na verdade, algumas espécies de sapos possuem a capacidade de libertar a sua urina de forma a afugentar os predadores, devido ao mau cheiro da mesma, e ainda podem inchar de forma a parecerem maiores. O seu suposto “veneno” é nada mais que as secreções glandulares que libertam para manterem a sua pele húmida, logo não é um verdadeiro veneno desenvolvido com a intensão de causar danos aos predadores. O problema principal é que tal como a maioria das substâncias naturais, estas não devem ser ingeridas pois podem causar irritações e por exemplo bloquear as vias respiratórias. O mesmo pode acontecer ao consumirmos espécies de flora das quais desconhecemos os efeitos.



No caso da fotografia de anfíbios durante a fase terrestre a melhor altura para os observar é no período noturno. Para tal basta realizar um pequeno percurso pedestre por um habitat adequado e que contenha charcos temporários nas redondezas, o que aumenta a probabilidade de os observar nas suas deslocações para os charcos, ou neste caso, os locais de reprodução. A melhor altura do ano é na época das chuvas, pois é quando os charcos apresentam água e os anfíbios se conseguem deslocar sem ficarem com a pele seca. Por vezes, podem também ser observados nos charcos onde se reproduzem, no entanto, envolve levar umas galochas e deverá ter cuidado quando caminhar, se possível deixe a máquina em terra (pois será difícil “capturar” algum anfíbio com lanterna e máquina nas mãos).



Deve manuseá-los com cuidado e evitar trabalhar muito tempo com o mesmo individuo.


A primeira coisa a fazer depois de “capturar” um individuo é procurar um ou dois spots para o fotografar. O equipamento deve já estar preparado de forma a evitar perder muito tempo a montar e testar tudo. Colocar o individuo no local escolhido e fazer uns primeiros disparos de teste. Estes disparos servem para verificar se o flash está a disparar corretamente, se a quantidade de flash é suficiente, se a abertura permite desfocar ou focar o fundo, e se o enquadramento é o melhor, as duas últimas dependem das preferências de cada fotógrafo. Se estiver tudo no ponto certo, e o bicho continuar a colaborar é fazer mais uns disparos e aproveitar ao máximo. Caso o individuo se comece a mexer se nunca sossegar, pode experimentar um pequeno truque que consiste em tapar-lhe os olhos fazendo uma pequena concha com uma das mãos, sem nunca tocar realmente nos seus olhos que são sensíveis, no entanto, cria uma sensação de ele estar no seu esconderijo o que os acalma e sossega. Depois levantamos a mão e voltamos a tirar umas fotografias. Se mesmo assim o individuo não ficar sossegado o melhor a fazer é deixá-lo ir e procurar outro. Como fotógrafo de vida selvagem temos o dever se saber quando é suficiente, mesmo que não tenhamos a fotografia que gostaríamos, há sempre o dia seguinte se tivermos em atenção o bem-estar dos animais.



Durante o dia é possível encontra-los escondidos por entre a vegetação ou debaixo de troncos e pedras, nestes casos devemos ter em atenção se o individuo fica demasiado seco ou não. Caso se encontrem demasiado secos pode deitar-lhe um bocado de água para voltar a humidificar a sua pele. Evite a exposição solar direta e deixe-o sempre no mesmo local onde o encontrou.


Cuidados a ter:

. Ao manuseá-los evite apertar ou tocar-lhes nos olhos.

. Não coce os seus olhos, nariz, boca ou orelhas depois de manusear um anfíbio, lave sempre as mãos antes com água, pois os detergentes e produtos de higiene podem causar doenças nos anfíbios.

. Se a noite for muito seca, ou seja, com pouca humidade, pode deitar um bocado de água sobre o individuo de forma a evitar que a pele fique demasiado seca.

. Durante o dia evite fotografá-los expostos ou sol, e antes de os libertar molhe-os para ficarem com a pele húmida.