• Diogo Oliveira

Missão: Truques para fotografar a Cobra-de-escada, Répteis de Portugal

Esta é uma longa história que vou tentar resumir sucintamente. Provavelmente por ter estado três dias à procura de cobras em diversos locais e sem sucesso, e no final encontrei a melhor modelo à porta de casa! Mas vamos começar pelo início. Tudo começou quando cheguei a Miranda do Douro para o festival Observarribas. Como tinha uns dias livres acabei por ir mais cedo para o topo de Portugal com a ideia de ir passear e fotografar, principalmente paisagem, insectos, répteis e anfíbios. De manhã acordava cedo e procurava locais bonitos para fotografia de paisagem. Regressa antes do pequeno-almoço e partia para nova aventura, neste caso à procura de insectos e répteis para vários locais. Mas tinha um objectivo em mente, fotografar algo que adoro, uma das cobras que existe em Portugal. Com três dias de sol e calor em cima, vários quilómetros percorridos, inúmeras pedras reviradas, o mais perto que estive de uma cobra foi uma que encontrei atropelada!


Numa das noites fui fazer um passeio aos charcos que descobri durante o dia e estavam cheios de vida. Uma das relas-arbóreas colaborou numa mini sessão fotográfica, enquanto outras espécies de anfíbios relativamente comuns iam cantando e passeando na escuridão (sapo-corredor; sapo-comum-ibérico; rã-de-focinho-pontiagudo; rã-verde). Ao longe conseguia ouvir um sapo-parteiro a cantar, mas sempre a partir de locais inacessíveis, mas o mais incrível ainda estava para vir. Uma lontra-europeia nadava distraída na minha direção, ficando a menos de um metro das minhas galochas.

O cansaço acumulado e o facto de andar estes dias todos sozinho, dia e noite, acabei por ficar a descansar no dia seguinte. Assim pensava eu…numa das voltas em redor do local onde estava hospedado debaixo de uma pedra lá estava uma pequenina cobra-de-escada (Rhinechis scalaris). Foi a primeira vez que fotografei esta espécie. E não podia ter tido melhor sorte, pois este individuo deixou tirar centenas de fotografias. Parecia que pousava para as fotografias, nunca tentou fugir de mim ou da máquina. Embora por vezes tenha tentado atacar. Ao fim de alguns minutos foi reposta no mesmo local onde a tinha encontrado. E no dia seguinte lá estava ela no mesmo local. Espero um dia voltar a encontra-la debaixo da mesma pedra, e espero que ela também se lembre de mim e permita tirar-lhe mais uma série de fotografias.