• Diogo Oliveira

Missão: Salvamento de um pequenino Ouriço-cacheiro, Mamíferos de Portugal

Avisaram-me que estava um pequenote de ouriço-cacheiro, Erinaceus europaeus, preso na entrada da herdade nas juntas utilizadas para o gado não sair (aquelas dos cilindros).


Quando lá cheguei ele estava a um canto e mal se mexia, estava gelado e com fome. Demorei mais de 30 minutos para o resgatar, o buraco era demasiado fundo para chegar lá com o braço, precisava de arranjar um tronco grande o suficiente para lá chegar e que fizesse uma conchinha com os ramos para ele ficar preso. Ao tocar-lhe pela primeira vez fechou-se como uma bolinha de espinhos, facilitando a sua movimentação, bastava rolá-lo até aos locais. Inicialmente rolei-o para uma zona mais elevada devido à acumulação de terra, mas mesmo assim não o conseguia apanhar. Foi necessário encostá-lo à parede e lentamente ir fazendo-o subir até o conseguir apanhar, foi demoroso mas finalmente apanhei-o. Precisava de voltar para casa com ele em segurança, tinha ido de bicicleta e nas mãos era impossível transportá-lo, por isso decidi colocá-lo na bolsinha que a bicicleta possui. Assim sabia que era impossível que ele caísse e eu me espetar.


Ao chegar a casa tive de arranjar uma caixa para o colocar, alta o suficiente para ele não fugir e grande para se poder mexer. Coloquei bastantes panos para o manter quente e fiz uma pequena casinha de panos onde se podia abrigar e foi precisamente para onde ele se dirigiu. Mas não era suficiente para se aquecer. Coloquei-o entre o pano e no meu colo para o aquecer mais depressa, até que ficou cheio de calor e começou a abrir-se lentamente. Dava para ver as patinhas e o focinho, e finalmente alguns pêlos e não espinhos. Fiz-lhe algumas festas para se acalmar e ele foi regressando ao seu estado normal enquanto permanecia a dormir. De repente, notei que ele tinha umas pulgas. Fui buscar uma taça cheia de água e comecei a apanhar pulgas, foi aí que percebi a confiança que ele me dava, conseguia tirar até as pulgas que andavam perto dos olhos e do nariz sem que ele se queixasse, escondesse ou mordesse. Tirei 14 pulgas ao todo. Quando despertou voltei a colocá-lo na caixa à qual tinha adicionado vários alimentos, desde frutas, cereais, leite, e feito uma papa com todos estes ingredientes. Enquanto procurava mais alimentos para ele reparei num pacote de batatas fritas com sabor a presunto, pensei para mim mesmo, não custa tentar. Esfarelei um bocado de batatas fritas e ele foi direito a elas comendo-as todas, meti mais batatas até ele se fartar e voltar a adormecer.


Ao final do dia era altura de o libertar, já estava quentinho e tinha feito uma boa refeição.