• Diogo Oliveira

Fotografias e Peripécias na Serra da Freita, Aveiro | Caminhadas & Aventuras

Visitar uma serra que desconhecemos é sempre uma incógnita, fazê-lo em boa companhia significa que vamos encontrar animais giros e passar um bom bocado. O destino era a serra da Freita, e o convite foi feito pela amiga Davina Falcão, que gere o Cobras de Portugal. Ela já conhecia o local, eu não sabia bem para o que ia. Estava um dia quente, mas assim que chegámos à serra a temperatura baixou imenso. Foi um excelente dia, com muitas espécies encontradas e com um nevoeiro que acabou por precipitar o regresso a casa.



QUANDO VISITAR

Todo o ano, com exceção do verão onde poderá ter mais pessoas a deslocar-se para a serra. Devem ter atenção aos avisos da proteção civil, pois nos meses de maior calor a serra pode estar interdita à circulação, quer de carro, quer a pé. Nos dias de chuva alguns caminhos podem ficar intransitáveis, e as rochas podem ficar escorregadias.


DETALHES

Ponto de Partida: Serra da Freita

Distância a Percorrer: 5 a 10 km

Altura do ano: Primavera

Melhor hora do dia: Manhã e Tarde

Material Recomendado: Máquina + objetiva macro

Extras: Pode ser necessário veículo todo o terreno (em dias de chuva)


COMO CHEGAR

Existem muitos locais para explorar na serra da Freita, uma zona mais descampada e outra mais florestada. No caso da procura por répteis, a zona com rochas e mais descampada acaba por ser a melhor. Nesta zona existem arbustos suficientes para eles se abrigarem, e rochas onde se podem esconder. Podem explorar os miradouros para ficarem com uma ideia de toda a região. Para além das diferentes espécies de répteis e anfíbios que aqui podemos encontrar, esta zona é também excelente para procurar por insetos nos dias mais quentes. De forma a facilitar a sua deslocação pode colocar no GPS as seguintes coordenadas: 40°52'02.5"N 8°15'41.4"W ou 40.867373, -8.261488, ou seguindo o link para o google maps.


PERCURSO RECOMENDADO

Existem diversos percursos pedestres que podem seguir e explorar, embora poucos estejam marcados. Podem seguir as estradas maiores e quando acharem que é hora de regressar, basta seguir o caminho inverso. Ou seguir os caminhos de terra até regressarem ao estradão, e aí seguir até onde deixaram o carro. Existem locais onde podem procurar por percursos pedestres, como o WikiLoc, eu gosto de explorar por mim e utilizo as imagens de satélite para definir o percurso que vou fazer. Recorrendo à minha posição GPS para saber onde estou e em que direção estou a seguir.



A MINHA EXPERIÊNCIA

Este dia a visita foi para fotografar juntamente com a Davina e o Nuno (que veio realizar algumas filmagens). Partilhei a experiência no meu canal do youtube, no vídeo sobre "Fotografando Cobras e Víboras na Serra da Freita - com a Davina Falcão do Cobras de Portugal" (LINK). E assim que chegámos a Davina deu de caras com uma víbora-cornuda (Vipera latastei), umas das espécies que mais queria voltar a ver. A última que tinha visto tinha sido no Gerês há mais de dez anos, o que me deixou muito entusiasmado e animado pois foi chegar e encontrar. A víbora estava junto ao muro e a Davina trouxe-a para uma zona mais aberta e à sombra. Ela manuseia as víboras para efeitos científicos, como determinar o sexo, estimar o tamanho da víbora, verificar se existem lesões (este macho tinha uma parte das escamas que não se soltou durante a última muda e que estava a ficar com um aspeto feio), e finalmente para treinar as técnicas de captura e controlo destes animais para quando é necessário o seu resgate de casas ou outros locais.



Depois de voltarmos a soltar a víbora no seu local fomos procurar outros répteis nos muros das redondezas. Não foi tarefa fácil, pois muitos acabam por se esconder antes de os conseguirmos observar com exatidão. No meio da procura por répteis nos muros encontrei uma rã-ibérica (Rana iberica) a saltitar à minha frente, felizmente que ela ficou quieta no topo do muro para umas quantas fotografias e depois seguiu o seu caminho. Mais ao lado o campo estava um bocado seco e com poucas flores, quando de repente vejo uma borboleta muito escura a voar. Era uma zigaena-comum (Zygaena trifolii). Andei um bom bocado atrás destas borboletas e consegui algumas fotografias com qualidade, fundos desfocados e até uma com duas borboletas.



Mas uma das espécies que tentávamos encontrar não aparecia em lado nenhum! Enquanto isso o tempo decidiu pregar-nos uma partida, de repente o sol deu lugar a um nevoeiro cerrado. O que não ajudava à procura de répteis, que em dias mais frios necessitam de tomar banhos de sol para manterem a sua temperatura corporal e conseguirem caçar. Com o sol escondido por entre o nevoeiro, e as temperaturas mais baixas, a quantidade de répteis decresceu imenso. E já só os encontrávamos debaixo de pedras que ainda mantinham algum calor. E foi aí que demos com uma cobra-d'água-viperina (Natrix maura), muito simpática e colaborativa deixou tirar uma série de fotografias e depois seguiu o seu caminho de regresso à proteção das pedras. Enquanto a fotografava uma rã-ibérica saltou para a pedra ao lado e ali ficou uns segundos, o que deu para tirar umas fotografias a este emplastro.



Já praticamente a desistir fomos verificar mais uns pontos que usualmente dão bons resultados, o nevoeiro estava denso e estava a ficar mais frio. Por isso, a ideia de encontrar mais répteis era cada vez menor. Mas já que ali estávamos não valia a pena ir logo para casa. Continuámos na nossa demanda por répteis e anfíbios, e num dos caminhos ao longo da ribeira estava um campo coberto de ervas altas. Veio logo à cabeça os furapastos, mas o frio não ia ajudar, tinha de os procurar. Fui caminhando com calma, enquanto a Davina procurava por cobras mais à frente. Quando de repente vi um furapastos a correr à minha frente por entre a vegetação, a sorte foi que se escondeu debaixo de uma pedra. Foi uma questão de a levantar e capturá-lo para ao menos saber a espécie. Era um furapastos-tridáctilo (Chalcides striatus). Ele estava bastante ativo, e por isso, não deu para fazer uma sessão fotográfica. Com as temperaturas baixas era mais seguro soltá-lo e deixá-lo ir para um abrigo. Mais à frente foi uma lagartixa-do-noroeste (Podarcis guadarramae) debaixo de uma pedra, também ela pouco ativa devido ao frio. Foi uma sessão rápida e regressou para um local seguro.



Espero que tenham gostado desta pequena aventura. Já sabem se visitarem a Serra da Freita procurem por animais e mantenham o respeito. Evitem manusear a cobras se não souberem identificar as espécies, lembrem-se de levar muita água e um chapéu para se protegerem do sol.



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Adoro meter-me em aventuras, perder-me no meio do mato, procurar o caminho certo, ou simplesmente chegar a uma praia ou cascata utilizando apenas o GPS e as imagens de satélite do google earth. Nunca caminho muitos quilómetros porque como imaginam ando com uma mochila carregada às costas, ou levo a Skye comigo. Tento sempre escrever sobre os locais que visito, os que mais gosto criei um post que podem consultar.


Uma das praias mais bonitas da Arrábida: PRAIA DO PORTINHO DA ARRÁBIDA, SETÚBAL


Conhece a maravilhosa cascata de Fervença que fica a menos de 20 minutos de Lisboa: CASCATA DE FERVENÇA, SINTRA


Num dos workshops que fiz fomos até à Praia do Ribeiro do Cavalo: TOUR FOTOGRÁFICO GT: PRAIA DO RIBEIRO DO CAVALO


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Criei vários vídeos sobre fotografia de natureza onde explico como fotografar diversos temas e ainda algumas das melhores técnicas fotográficas. Desde fotografar vida selvagem, paisagens ou estrelas, é uma pequena playlist que espero que desfrutem e deixem um like nos vídeos.



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