• Diogo Oliveira

Artigo: Sapo-de-unha-negra, Anfíbios de Portugal

O sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes) é um caso único na Península Ibérica. Este pequeno anfíbio possui uma característica muito especial, uma “unha negra” nas patas traseiras. A utilização desta unha é alvo de grande debate, por um lado pode ser uma ferramenta de um ancestral já inutilizada ou uma ferramenta utilizada para escavar para fugir a predadores. É uma espécie endémica da Península Ibérica abundante em zonas de montado e em habitats de solos arenosos.


Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes) na região alentejana.

Reproduz-se em charcas, lagos, charcos temporários ou poças da chuva de águas paradas e que mantenham um nível adequado de água durante alguns meses. De forma a permitir a conclusão do ciclo aquático e a correspondente metamorfose (transferência para terra). Estas massas de água devem ser livres de grandes predadores, como peixes ou o lagostim-vermelho-do-Louisiana. As primeiras chuvas de outono são o sinal ecológico para o início da reprodução. Começa assim uma migração para as charcas adequadas. As geadas e a neve que ocorre a Norte da Península Ibérica impossibilitam a reprodução, adiando-a para o começo da primavera (Fevereiro a Maio) quando as temperaturas aumentam e as chuvas continuam.


A principais ameaças são a contaminação e poluição das águas por produtos agrícolas ou pelo excedo de gado nos terrenos, mas também são ameaçados pela introdução de espécies exóticas (de peixes e do lagostim-vermelho-do-Louisiana) e pelo atropelamento durante as pequenas migrações até às melhores charcas ou entre charcas.


Para mais fotografias consultar a galeria desta espécie no link: GALERIA SAPO-DE-UNHA-NEGRA