• Diogo Oliveira

Artigo: Cobra-de-capuz, Répteis de Portugal

A cobra-de-capuz, Macroprotodon brevis, é uma pequena cobra de hábitos secretos que possui uma distribuição dispersa pela Península Ibérica. As espécies do género Macroprotodon são unicamente encontradas em regiões mediterrânicas. Na Península Ibérica ocorre a espécie Macroprotodon brevis, proveniente do Norte de África através de colonizações naturais recentes, quer por via transmarina e também quando a ponte terrestre de Gibraltar se encontrava disponível.



Ocorre na metade Sul da Península Ibérica e é o colubrídeo mais pequeno da região europeia e um dos mais desconhecidos. Alimentam-se de outros vertebrados, principalmente outros répteis e os seus hábitos são ainda confusos e pouco estudados. Habita zonas de matos com rochas, pois prefere permanecer debaixo das rochas, são geralmente regiões semiáridas. Também pode ser encontrada em áreas abertas de pinhais e montados.

As suas presas favoritas são de corpo longo (ou seja, um grande SVL – Snout-vent Lenght) que vivem enterradas ou debaixo de pedras. A cobra-cega, Blanus cinereus, é o seu alimento preferido, mas também se alimenta de fura-pastos-de-pernas-tridáctila (Chalcides striatus), fura-pastos-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriagai), lagartixas (Psammadromus hispanicus e P. algirus), cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), e alguns casos isolados de rato-das-hortas (Mus spretus) e pequenos artrópodes (gafanhotos e aranhas). A cobra-cega é uma espécie de hábitos diurnos e por isso, a cobra-de-capuz não poderá ser completamente noturna, mas sim de hábitos mistos. No entanto, o habitat dela é debaixo do solo, de pedras, em buracos ou tocas. Ela caça por emboscada, esperando as suas presas debaixo das pedras, quer elas sejam provenientes do exterior, como as lagartixas, ou do chão, como a cobra-cega. Uma análise mais aprofundada à sua retina indicia que a cobra-de-capuz seja diurna, embora também possua hábitos noturnos. 


Embora a cobra-cega seja semelhante em qualquer das pontas e não possua nenhuma escama pontiaguda, a cobra-de-capuz procura ativamente a cabeça da sua presa e começa a engolir sempre pela cabeça, um hábito comum em serpentes. Possui veneno com o qual imobiliza as suas presas, no entanto, ele é totalmente inofensivo para o ser humano. O veneno é inoculado pelos dentes posteriores do maxilar superior, ou seja, é opistóglifo. Ela injeta a sua secreção venenosa das glândulas de Duvernoy numa zona vital da sua presa para a matar (imobilizar) o mais rapidamente possível. Engolir uma cobra-cega ainda viva é impensável e perigoso, é um animal que possui uma forte musculatura no corpo. Ela morde principalmente a cabeça da cobra-cega.

O consumo de presas grandes é semelhante às serpentes altamente venenosas, as solenóglifos. No entanto, ela alimenta-se com pouca frequência e possui baixos requerimentos energéticos, no entanto, alimenta-se de presas com grande biomassa. Esta baixa taxa de alimentação será devido à sua tranquila vida? Ou devido à limitação de presas? Provavelmente serão necessários mais estudos sobre esta espécie, no entanto, no Norte de África ela alimenta-se do dobro das espécies que os indivíduos da Península Ibérica. Foram registados indivíduos a atravessar estradas entre as 20h e as 24h, evidenciando os seus hábitos noturnos, no entanto, a limitação das suas presas pode originar alguns hábitos diurnos.

Para mais fotografias consultar a galeria desta espécie no link: GALERIA COBRA-DE-CAPUZ