• Diogo Oliveira

4 Espécies para observar e fotografar na zona de Castro Verde

Castro Verde foi possivelmente dos primeiros locais que explorei quando comecei a fotografar vida selvagem, foi aqui que vi o meu primeiro rolieiro e francelho, e aprendi mais sobre a sua conservação e todos os esforços que estavam a ser feitos na altura com a implementação de diversas caixas-ninho em ruínas e outros espaços.



DETALHES

Ponto de Partida: Castro Verde

Distância a Percorrer: Cerca de 50 km (mais viagens de carro entre locais)

Altura do ano: Primavera

Melhor hora do dia: Manhã

Material Recomendado: Máquina + teleobjetiva acima dos 400mm

Extras: Veículo todo o terreno


COMO CHEGAR

Castro Verde localiza-se no distrito de Beja, isto é, fica na zona do Baixo Alentejo. Quase toda a zona de Castro Verde encontra-se protegida pela Zona de Proteção Especial (ZPE) determinada pela Rede Natura 2000, esta ZPE foi constituída para proteção das aves estepárias, nas quais se inclui o francelho, a abetarda e o sisão. De forma a facilitar a sua deslocação pode colocar no GPS as seguintes coordenadas: 37°42'02.5"N 8°05'06.5"W ou 37.700680, -8.085135, ou seguindo o link para o google maps. O local onde fico quando vou a Castro Verde é a Herdade de Alagães (site), que fica entre Castro Verde e Mértola, e consigo facilmente chegar a ambos.


PERCURSO RECOMENDADO

Toda a envolvente de Castro Verde é perfeita para fotografar, um dos pontos mais conhecido é a antiga estação de comboios de Casével. Aqui podemos encontrar duas das espécies deste artigo, o rolieiro e o francelho. Ambas as espécies gostam de utilizar os edifícios em ruínas para nidificarem, e por isso, qualquer espaço desses pode encontrá-los. Outro local a visitar é o Centro de Educação Ambiental Vale Gonçalinho que é gerido pela LPN, aqui terá oportunidade de observar as restantes aves estepárias. Finalmente, pode fazer toda a estrada que liga Castro Verde a Mértola para procurar observar as aves de rapina que fazem parte deste artigo, a águia-imperial-ibérica e o abutre-preto.




A MINHA EXPERIÊNCIA

As aves deste artigo não são fáceis de fotografar, as duas primeiras encontram-se em ruínas mas nós estamos de um lado e elas do outro. Para terem sucesso pode ser necessário ficar muitas horas ao sol, dentro do carro, com uma grande rede camuflada por cima (podem comprar redes camufladas na FotoCamo). Podem ainda percorrer as estradas de carro e tentar que alguma ave permaneça num dos postes de madeira das vedações, mas isso vai implicar percorrer toda a zona múltiplas vezes. Relativamente às aves de rapina, na maioria dos casos só as vamos observar a sobrevoar os céus. Por isso, nos tempos mortos em vez de ficarmos sentado debaixo de um chaparro (sobreiro) podemos aproveitar para ficar atentos às movimentações destas grandes aves e conseguir algumas fotografias nos momentos em que elas voam mais perto do solo. Podem ir para um ponto mais alto, como a zona de Alcaria Ruiva, e permanecer algumas horas a observar. Não se esqueçam de levar o almoço e muita água.



FRANCELHO OU PENEIREIRO-DAS-TORRES

O francelho ou peneireiro-das-torres (Falco naumanni) é uma das espécies que nos visita apenas durante a primavera e verão, o resto do ano eles encontram-se em África. A sua alimentação é constituída por roedores e insetos, que captura nas zonas de campo aberto (estepes). Eles desempenham um papel fundamental no controlo dos roedores durante a época do crescimento do cereal. Podem ser confundidos com o peneireiro-comum, que também pode nidificar nos mesmos locais.



ROLIEIRO

O rolieiro (Coracias garrulus) é a nossa ave azul, sendo uma das mais vistosas que podemos observar. O seu azul confunde-se com o céu quando voam, o que pode enganar a máquina quando necessitam de os focar. Eles alimentam-se de insetos que capturam nos campos agrícolas ao redor das ruínas, poisando na vedação para comerem a sua refeição.



ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA

Estava precisamente na Herdade de Alagães quando vimos esta águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) a voar perto do solo, num dos momentos diria que nos veio espreitar. O facto de a Herdade ficar numa pequena aldeia no meio do campo facilita a observação de grandes rapinas, aliás a presença de diversos animais domésticos (pecuária) nos terrenos que circundam a aldeia servem de atrativo para estas aves, que procuram animais mortos para se alimentarem.



ABUTRE-PRETO

A Herdade de Alagães possui diversos terrenos, e num dos dias tivemos oportunidade de visitar um deles com a Catarina (a dona da Herdade de Alagães). Tivemos de subir um monte, num dia de calor, mas a surpresa estava à nossa espera no topo! Um abutre-preto (Aegypius monachus) descansava por entre as rochas, mesmo ao nosso lado. Fora apanhado de surpresa pela nossa presença, num monte mais ao lado estavam diversos grifos a descansar que não ficaram incomodados pela nossa presença. Esta espécie é necrófaga, o que significa que se alimenta de animais mortos e preferem animais pequenos como coelhos ou lebres, à falta deles procuram alimentar-se de pedaços pequenos que os grifos deixam para trás.



Espero que tenham desfrutado deste pequeno guia sobre 4 espécies que podem fotografar em Castro Verde, evitem ir em dias muito quentes. Procurem fotografar as aves com calma e não se esqueçam de ir olhando para cima. Visitem a zona de Castro Verde e partilhem as vossas fotografias.



QUEREM APRENDER MAIS SOBRE FOTOGRAFIA?


Quando estamos a fotografar é fácil perder a noção do que devemos ou não devemos concentrar, sejam as espécies mais comuns ou as mais raras, seja tentar fotografar de dia ou de noite. Criei alguns artigos para mostrar o que podem procurar em certos locais para fotografar.


Fique a saber que espécies fotografar durante a sua visita à Tapada de Mafra: 3 Espécies para Fotografar na Tapada de Mafra


Conheça quando fotografar diversas espécies de aves no litoral de Oeiras: 4 Espécies para Fotografar no Passeio Marítimo de Oeiras


O guia para principiantes sobre definições de máquina: 30 Truques e Dicas para a sua Sony A7RIII




VEJAM AINDA OS MEUS VÍDEOS NO YOUTUBE

Criei vários vídeos sobre fotografia de vida selvagem onde explico como fotografar diversas espécies e ainda algumas das melhores técnicas fotográficas. Desde fotografar aves costeiras a fotografar o bonito guarda-rios, é uma pequena playlist que espero que desfrutem e deixem um like nos vídeos.




QUEREM CONHECER ABRIGOS E ESPAÇOS PARA FOTOGRAFAR?


Já visitei alguns abrigos fotográficos e muitos espaços bons para fotografar vida selvagem. E o melhor contributo que posso fazer é ajudar a divulgá-los, aqui ficam alguns que gosto imenso e que espero que também gostem de os visitar.


A zona da Lezíria do Tejo é excelente para fotografar aves aquáticas, e foi criado um espaço único que poderá tirar partido: Espaço de Visitação e Observação de Aves (EVOA)


O outro abrigo da MiraSado, mais escondido e rodeado por silvas: Abrigo do Silvado


O seu papel é privilegiar e ajudar a conservar espécies autóctones de Portugal, sendo que podemos fotografá-las enquanto damos o nosso contributo para a sua conservação: Parque Biológico da Serra da Lousã