• Diogo Oliveira

4 Espécies para Fotografar no Passeio Marítimo de Oeiras

A zona do passeio marítimo de Oeiras é um excelente local para passear naquele domingo solarengo, no entanto, é também um excelente local para fotografar aves costeiras na zona de Lisboa. Sim, existem locais onde podemos observar mais espécies mas o nosso objetivo é fotografar e nada melhor que um local onde existe sempre muita gente para as fotografar, pois elas acabam por se habituar à presença do ser humano e permitem uma menor distância de segurança, em alguns casos até vêm ter connosco ver se temos alguma comida. Aqui fica um pequeno guia para fotografar algumas espécies do Passeio Marítimo de Oeiras, atenção que existem mais espécies por lá, concentrei-me apenas nas que foram fáceis de fotografar e na forma como abordei cada espécie.


DETALHES

Ponto de Partida: Portão do INATEL

Distância a Percorrer: Cerca de 2 km

Altura do ano: Inverno e primavera

Melhor hora do dia: Final do dia

Material Recomendado: Máquina + teleobjetiva acima dos 400mm

Extras: Deve estar maré baixa



COMO CHEGAR

Existem vários pontos de acesso ao passeio marítimo de Oeiras, no entanto, eu prefiro entrar o mais perto das rochas. O ponto de partida fica localizado na Rua Aljubarrota, Oeiras, para lá chegar pode colocar no GPS as seguintes coordenadas: 38°40'49.9" N 9°18'57.9" O ou 38.680533, -9.316087, ou seguir o link para o google maps.



PERCURSO RECOMENDADO

A ideia é percorrer a zona costeira à procura de aves para as fotografar, eu gosto de percorrer o passeio marítimo em direção a este de forma a ficar com o sol o mais nas minhas costas possível. Ou seja, partindo do INATEL até à praia de Santo Amaro. Quando consigo lá chegar, se pelo caminho encontrar aves em locais favoráveis acabo por gastar todo o tempo da sessão para as fotografar. Eu gosto de fotografar as aves ao nível dos olhos, e isso implica descer até às rochas. Na maioria das vezes prefiro ficar sentado no trajeto que as aves estão a fazer de forma a não andar a persegui-las ativamente. Isso implica alguns minutos sentado no mesmo local enquanto elas ficam a circular à procura de alimento.



A MINHA EXPERIÊNCIA

As aves estão bastante habituadas à presença humana, a zona do passeio marítimo de Oeiras está sempre repleto de pessoas a circular para trás e para a frente, e ainda alguns pescadores que também gostam de procurar a sua sorte naqueles locais. Isso acaba por 'obrigar' as espécies a manterem-se perto do ser humano, o que nos dá uma vantagem porque podemos fotografá-las bastante perto de nós. De seguida vou explicar detalhadamente para cada uma das espécies que fotografei no local.



ROLA-DO-MAR

Assim que cheguei encontrei várias rolas-do-mar (Arenaria interpres) nas rochas perto da primeira descida, claro que não hesitei em descer para as fotografar. Mas tive um grande problema, é que elas achavam que eu lhes ia dar comida e por isso vieram ter comigo! Ficaram tão perto que nem as conseguia fotografar com a Sony 200-600. E acabei a fotografar e filmar com o meu telemóvel. Gostei imenso dessa interação e acabei por perder cerca de uma hora a fotografá-las.



PILRITO-DAS-PRAIAS

O pilrito-das-praias (Calidris alba) é talvez das aves mais giras deste grupo, em especial no contraste entre o branco e as rochas escuras. Devem ter cuidado a configurar a máquina para não ficarem com os brancos queimados por causa deste elevado contraste. E precisam de ter muita paciência, o facto de gostarem de se movimentar em grupo significa que basta um se assustar e levantar voo para os restantes o seguirem. É mesmo fundamental escolher um bom local para esperar por eles, foi assim que consegui fotografá-los.



PILRITO-ESCURO

Quem é que dizia que eu encontrava os pilritos-escuros (Calidris maritima)? Foi muito complicado, não só pela sua coloração mas porque eles gostam de escolher as zonas de sombra o que dificulta ainda mais! E mesmo nas fotografias acabamos por ter que utilizar um ISO mais elevado ou se nos distrairmos o que acontece é termos velocidades muito baixas para ficarmos com uma boa fotografia, pois eles não ficam propriamente quietos. Eu tive alguma sorte, porque quando estava a fotografar os pilritos-das-praias o pescador decidiu vir-se embora e empurrou os pilritos-escuros na minha direção, de tal forma que esta primeira fotografia ele estava realmente perto e no limite do foco. Depois passou junto aos meus pés e seguiu caminho, passou pelo sol e para um local onde não o conseguia fotografar. Nas restantes foi mais uma vez a paciência, ficar à espera deles e quando eles espreitavam para lá das rochas dava para tirar umas fotografias.



BORRELHO-GRANDE-DE-COLEIRA

A última ave foi o borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula), e confesso que foi o mais chato de fotografar pois foi o que se manteve sempre longe de tudo e todos, e esteve muito tempo quieto no mesmo local. Ou seja, a técnica de esperar por ele não estava a resultar. Tive então de tentar uma abordagem mais complicada, pois envolvia caminhar pelas rochas escorregadias e com máquina e mochila às costas. Um risco, podia cair e partir a lente, mas felizmente correu tudo bem. O ponto de partida é ficar sempre escondido, de forma a ir ficando mais perto sem que a ave me veja. Quando estava à distância que considerei suficiente para ele não fugir comecei a fotografar, mas com alguma sorte o local que ele escolheu era relativamente perto do mar e veio uma onda mais forte que o obrigou a fugir para perto de mim, conseguindo assim tirar finalmente as fotografias.



Espero que tenham desfrutado deste pequeno guia de 4 espécies que podem fotografar no passeio marítimo de Oeiras. Lembrem-se de ver bem as condições meteorológicas para não terem nenhum susto, e procurem fotografar as aves com calma e sem pressas. Visitem este local e partilhem as fotografias.



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Aprende um pouco mais sobre o guarda-rios: ARTIGO: GUARDA-RIOS, AVES DE PORTUGAL


Sabe quais os diferentes abrigos que utilizo: QUAIS OS MELHORES ABRIGOS FOTOGRÁFICOS


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O guia para principiantes: 30 TRUQUES E DICAS PARA A SUA SONY ALPHA A7RIII


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